Segundo Information Week EUA, entre os destaques para este ano estão virtualização e vídeo corporativo
InformationWeek EUA apresenta sua lista anual das tecnologias mais importantes que deverão ganhar grande destaque na indústria, este ano. As escolhas incluem virtualização de servidores, vídeo corporativo e aplicativos de “presence-aware”.
Um novo ano sempre traz mudanças e novos desafios para os gerentes de TI, e 2008 não será exceção. Embora existam dezenas de tecnologias emergentes que têm o potencial de romper com os padrões atualmente estabelecidos, as cinco que apresentaram uma oportunidade significativa de levar a importantes implicações para as companhias, em 2008, são: virtualização, o papel da Apple e a administração de empresas de plataforma cruzada, centrais de dados gerenciadas, redes de vídeo sobre IP, e aplicações de “presence-aware”.
O que todas essas cinco tecnologias têm em comum é a capacidade de mudar o curso de seus planos de TI, redefinir sua infra-estrutura de rede, gerenciar seus desktops e alterar o modo como você desenvolve e implementa seus aplicativos.
Virtualização já!
Muitas coisas aconteceram no setor da virtualização, nos últimos 12 meses, e esta tecnologia continuará a aparecer nas manchetes em 2008. Embora o conceito geral não seja novo, ele está se expandindo praticamente para todos os mais diversos pontos do data center e está mostrando ser uma ferramenta muito útil para uma maior variedade de situações.
Dan Kusnetzky, analista e diretor no Kusnetzky Group, pesquisa vários tipos de tecnologias de virtualização e acompanha inúmeros fabricantes especializados que fornecem desktops virtuais que executam aplicativos virtuais a partir de sistemas de armazenamento virtuais em redes virtuais, e até mesmo utilizam segurança virtual. Ele observa uma maior atividade em todas essas áreas, com novos produtos, como o Fusion, da VMware, que permitem que as máquinas virtuais sejam executadas no Mac OS, assim como possibilitam que a virtualização seja integrada em algumas das mais novas distribuições do Linux e com processadores da Intel e da AMD. “Colocar toda essa “carga” de executar uma máquina virtual no hardware faz com que tudo possa ser executado muito mais rapidamente”, declarou Kusnetzky.
No ano passado, as companhias ofereceram aplicativos virtuais, ou a capacidade de “carregar” novos aplicativos por meio de uma rede, sem precisar primeiramente instalá-los no disco rígido de um usuário. Os produtos nesse setor, de companhias como Thinstall, Appstream, Altiris e Microsoft estão, cada vez mais, aperfeiçoando e acrescentando recursos.
Eles têm diversos aspectos a favor: primeiro, os aplicativos estão sempre sendo corrigidos e atualizados, de modo que as novas atualizações são triviais; e isto é particularmente atrativo para os aplicativos que podem expor uma empresa a problemas de segurança, como os navegadores na web e outras conexões a internet. Em segundo lugar, os usuários podem trabalhar a partir de qualquer computador conectado à internet. Por fim, à medida que uma empresa de TI desenvolve novos aplicativos internamente, eles podem ser implementados rapidamente com controles de acesso centralizado somente para aqueles usuários que precisam executá-los. A virtualização com base em servidores também está se aperfeiçoando, com versões nativas do Xensource, adquiridas em 2007 pela Citrix, e hipervisores VMware disponíveis para processadores de 64 bits.
E existe um conjunto cada vez maior de “imagens” pré-criadas, da Microsoft (que as chama de discos rígidos virtuais) e da VMware (que utiliza o termo dispositivos virtuais), que podem tornar a configuração de um novo sistema operacional de desktop mais fácil do que nunca.
Kusnetzky fala sobre novos desenvolvimentos na área de virtualização, que permitirão a um usuário inicializar uma máquina virtual no local, suspender suas operações e, então, continuar a trabalhar a partir de outro computador, exatamente no ponto em que o trabalho foi interrompido – de modo similar a como um laptop consegue “acordar” do modo sleep. “Isso significa que você pode ter um desktop virtual que está constantemente em execução e acessível a partir de qualquer local no mundo e, ainda assim, permanece completamente seguro”, ele esclarece.
Apple e as companhias de plataformas cruzadas
Os preços das ações da Apple estão “na estratosfera”, e por uma boa razão. Depois de conseguir fazer os “maníacos por dispositivos” de todos os locais nos Estados Unidos ficarem acordados uma noite inteira, no verão passado, esperando para serem os primeiros a comprar um iPhone, existem mais mudanças sutis previstas para este ano. Pela primeira vez em muitos anos, neste momento, escolher o navegador ideal é uma corrida entre três preferidos, que são o Safari, da Apple, o Firefox, da Mozilla, e o Internet Explorer, da Microsoft. Conseguir que esses três navegadores tenham suporte técnico pode ser problemático para muitas corporações que dependem de intranets com base na web e de aplicativos internos. “É difícil projetar aplicativos para intranets que sejam bem executados tanto no Safari como no IE, por isso, nossa tendência é de dizer aos usuários que utilizem o Firefox para as intranets, e qualquer outro navegador para suas necessidades externas”, declarou Dan O’Donnell, administrador de colaboração na Rand Corporation. Como exemplo, o Sharepoint, da Microsoft, não funciona bem em nenhum dos navegadores Mac, uma situação que O’Donnell gostaria que fosse diferente.O Windows Vista, da Microsoft, lançado no começo de 2007, não foi considerado um acontecimento em grande parte das corporações. Muitas delas têm evitado qualquer migração “em massa” para o novo sistema operacional e preferiram permanecer com o XP ou mesmo optaram por migrar para o Mac OS. Embora o Vista tenha cumprido com suas promessas de reprojetar o kernel e de fornecer um novo modelo de segurança, ele foi prejudicado pela falta de aplicativos compatíveis e por uma série de suas próprias questões de segurança. “A relativa falta de segurança do Windows não é algo que a Apple provocou, mas ela certamente está se beneficiando com isso”, comentou O’Donnell.
A Rand é uma verdadeira empresa que trabalha com plataforma cruzada, com desktops Mac OS respondendo por 25% de seu inventário; o Windows, por 73%, e Unix/Linux, por 2%. “Embora sempre tenhamos um mix de sistemas operacionais de desktops, agora vemos pessoas que nunca utilizaram um Mac perguntarem mais sobre ele”, descreveu O’Donnell. “Isso se deve, em parte, ao fato de as pessoas estarem saturadas com todas as possíveis intrusões do Windows. Já ouvi muitos usuários veteranos do Windows se queixarem sobre o Vista”.
Redes de vídeo sobre IP
A combinação do YouTube, videoconferência ao vivo na web, e a facilidade e o menor custo de criar conteúdo de vídeo significa que mais vídeos serão executados em redes corporativas. O planejamento para a infra-estrutura apropriada será fundamental, especialmente nos próximos anos, à medida que mais aplicativos destinados a vídeos forem desenvolvidos.
“Geralmente, vemos a clássica situação da TI, quando ‘não’ é a palavra de ordem, quando se trata de acrescentar recursos de vídeo em redes corporativas, porque a maioria dos profissionais de TI está sobrecarregada e preocupada com o impacto das redes de dados”, disse Rick Mavrogeanes, um dos fundadores da Vbrick Systems, uma fabricante de aplicativos para redes de vídeo. “Em muitos casos, temos visto em que pontos os profissionais do suporte técnico às redes de TI não querem lidar com aplicativos de vídeo.
A relutância da TI não é somente uma questão de quanta largura de banda “bruta” é necessária, mas também uma premência por melhor entendimento de algumas das outras questões relacionadas a redes. “O tráfego de vídeo é mais consistente e não exige muita largura de banda, mas é preciso compreender as questões de latência e de QS (qualidade de serviço)”, afirmou Mavrogeanes. “Temos visto VoIP preparar o caminho para ser compatível com vídeo, porque, em muitos casos, elimina as questões de QS e latência em uma rede corporativa”.
Para compreender realmente os aplicativos de vídeo, observe a companhia de produções para a TV, Bunin-Murray, criadora dos “reality shows” The Simple Life e The Real World. A companhia implementa diversas soluções para suas produções de vídeo, de acordo com Mark Raudonis, vice-presidente de pós-produção e gerente de TI efetivo. Eles fazem cópias com baixa resolução, para edição off-line, e “podem evitar ter de recorrer à Ethernet com capacidade para gigabits, nos desktops”, ele explicou.
Mas para a edição do vídeo final ser transmitido, “mesmo a Ethernet com capacidade para gigabits não tem largura de banda suficiente. Nessas situações, acrescentamos fibra ao desktop e colocamos os vídeos em uma rede de armazenamento separada”. Mavrogeanes concorda com essa estratégia, dizendo que “é importante garantir que a estrutura de rede seja adequadamente compatível com recursos de multi-difusão.”
Data centers terceirizados
Já se foram os dias em que uma companhia realmente precisava ter seus próprios servidores internamente. Em 2008, haverá um crescente número de provedores de serviços gerenciados que, com satisfação, farão isso por você, e por um preço menor e oferecendo maior confiabilidade. “O desafio genérico dos aplicativos relacionados à internet é que vem aumentando a experiência necessária para mantê-la em execução e com segurança”, definiu Rich Bader, diretor executivo da provedora de outsourcing Easystreet Online Services. “Agora, é preciso estar atualizado com os patches e a precisão de sua configuração é mais importante, porque sua conexão com a internet será testada regularmente pelos que a querem invadir”.Isso acrescenta um maior grau de complexidade ao gerenciamento de servidores e dos aplicativos que os acompanham. “O gerenciamento de servidores é, provavelmente, o principal ponto de entrada”, declarou Charles Weaver, presidente da Associação Internacional dos Provedores de Serviços Gerenciados. “As grandes corporações têm departamentos de TI que sofrem de excessiva cobrança de taxas e de insuficiente disponibilidade de fundos, e estão recorrendo mais aos provedores para diminuir a carga de determinados segmentos do gerenciamento de TI, como de e-mail e de servidores, VPNs e segurança, monitoração de registros e auditoria”. A Clearpoint é um provedor que fornece seus serviços para 100% das redes e servidores de gerenciamento remoto, com mais de 25 mil dispositivos sob gerenciamento por meio de sua central de operações. O diretor da Clearpoint, Bob Longo, analisou: “Posso fazer isso por um custo fixo mensal, e também lidar com todo o gerenciamento de correções e com as interrupções de funcionamento. Eu entro em contato com o fabricante e espero que ele me envie o que for necessário para realizar possíveis reparos. Uma vez que um cliente assina um contrato comigo, será a última vez que ele precisará pensar em seus servidores.” Longo é um grande fã de uma nova linha de produtos da Microsoft, denominada System Center, que pode ser utilizada para monitorar chamadas pedindo soluções de problemas, realizar suporte técnico a desktops e iniciar atualizações de software em PCs individuais.
“Não somos ameaça para nenhum setor da TI “, mencionou Longo. Alguns de seus clientes têm testado os tempos de resposta de modos interessantes. “Um cliente nosso desconectou um servidor e esperou para ver quanto tempo levaria para que percebêssemos o que ele tinha feito”, ele contou.E a menos que você pense que tais provedores são as menores empresas de sua cidade, observe em que setor a IBM está direcionando seus esforços. “Tem havido uma maior aceitação da terceirização e temos aumentado nossas ofertas de produtos, especialmente, no mercado de companhias de médio porte”, disse Rick Ruiz, gerente geral de serviços destinados a pequenas e médias empresas, na divisão de Global Technology Services da IBM. “As companhias estão demonstrando interesse em evitar os custos fixos, quando seus negócios se expandem. Elas ainda não querem aumentar seu quadro de profissionais, mas ainda acrescentam recursos. Elas querem se dedicar à sua atividade central”.
Aplicativos de “presence-aware”
Nosso último aplicativo que romperá com os padrões, neste ano, não se refere apenas a mensagens instantâneas ou VoIP, mas é o elo que os mantém unidos naquilo que a Cognoscenti chama de “conscientização de presença”. Existe um crescente número de soluções e também de fabricantes fornecendo produtos que pretendem descobrir o que o usuário está fazendo em determinado momento e facilitar a comunicação ou o caminho dos fluxos de trabalho.
A questão é a seguinte: quando uma pessoa tem um telefone por VoIP em sua mesa, ele também pode estar associado ao seu computador, por isso, se você estiver falando ao telefone, as pessoas que ligarem para você poderão ser identificadas como mensagens de ID (identificação) no aparelho, na tela de seu PC. Ou, se preferir, você pode agendar uma conferência de áudio e pode utilizar um website para configurá-la rapidamente. Ainda melhor, existem alguns aplicativos que também se integram com o telefone, portanto, as pessoas podem ver automaticamente seu status em seu software de mensagens instantâneas.
“A idéia é criar uma combinação de aplicativos que possa ser utilizada por centrais de atendimento e assumir processos corporativos e diminuir o grande número de latência e erros humanos”, acrescentou Mark Damphousse, diretor de tecnologia da Trinet Systems. Geralmente, esses aplicativos também ajudam na transição de um sistema de PBX mais antigo para um modelo mais novo, compatível com VoIP.
Existem dois caminhos separados referentes a protocolos, entre os quais os desenvolvedores de aplicativos podem escolher para tornar essa mágica possível: um deles é chamado de SIP (Session Initiation Protocol, ou Protocolo de Início de Sessão), e sua extensão para mensagens instantâneas, chamada de SIMPLE. A Microsoft utilize SIP e SIMPLE com suas mudanças proprietárias que ainda não foram padronizadas. O outro protocolo é conhecido como XMPP (Extensible Messaging and Presence Protocol, ou Protocolo Extensível de Presença e Transmissão de Mensagens). O XMPP foi adotado pelo Google Talk e Jabber, entre outros. Ambos os protocolos são empregados para controle de chamadas e têm o suporte técnico de diversos fabricantes, quanto a tarefas básicas de conscientização de presença e comunicações convergentes.
Enquanto o e-mail não se tornar obsoleto – embora Matt Tucker, diretor de operações da fabricante de ferramentas colaborativas e de mensagens instantâneas, Jive Software, tenha dito que “já se está falando que o e-mail é o novo correio lerdo” -, acrescentar recursos de conscientização de presença irá modificar o modo como sua companhia estabelece sua comunicação, em 2008.
por J. Nicholas Hoover / InformationWeek EUA
03/03/2008
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